A melhor (e mais fácil) receita de pão ciabatta que eu, ironicamente, agora não posso comer

No começo deste ano, eu tinha uma meta muito específica e, talvez, um pouco aleatória: queria evoluir nos meus pães artesanais.


Enquanto algumas pessoas colocam metas como correr uma maratona, aprender inglês ou guardar dinheiro, eu decidi que seria a pessoa que faria um pão bonito, com casca crocante, alvéolos perfeitos e aquela aparência de quem claramente sabe o que está fazendo na cozinha.

Eu estava particularmente obcecada por ciabatta.

Talvez porque pão artesanal tenha alguma coisa quase terapêutica. Tem algo muito bonito em misturar ingredientes simples, esperar o tempo certo, errar, ajustar, entender a massa e, no final, tirar algo quentinho do forno que você mesma fez. Parece um pequeno lembrete de que nem tudo precisa acontecer rápido.

Eu já estava pesquisando técnicas, assistindo vídeos, salvando referências e planejando como finalmente faria um pão realmente bom.

Só que a vida — ou, mais especificamente, meu intestino — decidiu mudar um pouco os planos.

Nos últimos meses, comecei uma dieta restritiva por questões de saúde. E, entre várias coisas, pão entrou temporariamente para a lista de “melhor evitar”.

É engraçado como algumas mudanças chegam assim: silenciosas, práticas e levemente inconvenientes. Não é uma grande tragédia. Não é o fim do mundo. Mas existe uma pequena crise muito específica em perceber que algo que você estava animada para viver precisa, pelo menos por enquanto, ser colocado em pausa.

Acho curioso como a vida adulta também é feita desses pequenos lutos.

Não estou falando das grandes perdas — essas a gente reconhece imediatamente. Estou falando das pequenas expectativas que mudam sem pedir licença. Dos planos aparentemente bobos que, de repente, deixam de fazer sentido. Das versões da nossa rotina que imaginamos e que acabam sendo substituídas por outra realidade.

Eu queria aprender a fazer pão.

Meu corpo tinha outros planos.

E talvez crescer seja um pouco isso também: aprender que nem sempre a vida segue o roteiro que imaginamos. Às vezes, o plano muda. Às vezes, precisamos adaptar. E, honestamente, às vezes tudo bem ficar um pouco frustrada com isso também.

Mas a verdade é que eu já tinha um pequeno ritual com pão artesanal. A cada quinze dias, eu fazia ciabatta em casa. Nada extremamente profissional ou digno de uma padaria italiana, mas era o meu momento. Misturar os ingredientes, esperar a fermentação, ver a massa ganhar forma e, no final, tirar um pão quentinho do forno tinha alguma coisa de conforto silencioso.

Então, quando comecei a dieta restritiva e precisei cortar pão, percebi que a pequena crise não era só sobre não comer. Era também sobre interromper algo que fazia parte da minha rotina e que, de um jeito simples, me fazia bem.

Por isso, achei justo compartilhar aqui a receita da ciabatta que vinha me acompanhando nos últimos meses — e que, ironicamente, agora preciso deixar em pausa por um tempo.

A melhor (e mais fácil) receita de pão ciabatta

Essa é a receita que funcionava comigo: poucos ingredientes, pouca complicação e um resultado muito melhor do que alguém que claramente não é padeira profissional teria o direito de conseguir.

Ingredientes (8 porções)

  • 400 g de farinha de trigo
  • 300 ml de água morna
  • 3 g de fermento biológico seco
  • 2 colheres (sopa) de azeite (opcional) 
  • 1 e ½ colher (chá) de sal

Modo de preparo

  1. Em uma tigela grande, misture a água morna, o fermento biológico seco e o azeite.
  2. Acrescente a farinha peneirada e o sal. Misture até formar uma massa bem grudenta. Sim, ela parece meio errada nessa fase — mas confie no processo.
  3. Cubra a tigela com um pano limpo e deixe descansar por 15 minutos.
  4. Depois do descanso, faça dobras na massa puxando as laterais para o centro. Repita esse movimento cerca de 10 vezes. (Dica de ouro: molhar as mãos ajuda MUITO a massa não virar um caos absoluto.)
  5. Cubra novamente e deixe descansar por 30 minutos.
  6. Repita as dobras mais uma vez.
  7. Vire a massa de cabeça para baixo, cubra e deixe descansar por mais 30 minutos.
  8. Em uma bancada enfarinhada, transfira a massa com cuidado e modele delicadamente em um formato retangular.
  9. Corte os pães no tamanho que preferir e coloque-os em uma forma enfarinhada, deixando espaço entre eles para crescer.
  10. Deixe descansar mais 30 minutos já cortados.
  11. Asse em forno preaquecido a 250°C por 20 a 25 minutos, até dourar levemente.

Segredo da casquinha crocante: borrife água no fundo do forno ou coloque uma assadeira com água para criar vapor enquanto assa.

  1. Espere esfriar (ou não — porque pão quente é uma tentação moralmente aceitável) e sirva.

Espero conseguir voltar a fazer essa receita em breve.

Até lá, acho que estou aprendendo que nem todo plano precisa acabar — alguns só entram em pausa.

— D.

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